quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Mãe de 2ª Viagem – Aaah!!!mamentação


Sabe aquelas imagens de mamães amamentando bebezinhos lindos em um quarto impecavelmente decorado, ela sorrindo, ele calminho mamando e trocando olhares com sua mãe? O nome disso é propaganda enganosa!! Acontecerão momentos como esse, em que você vai amamentar sorrindo, mas é preciso saber a verdade: amamentar é difícil, assustador, doloroso, trabalhoso, cansativo, calorento, solitário, desafiador, desanimador...

Amamento há 6 meses, 2 semanas e 4 dias e não penso em quando quero parar. Li muito sobre o tema e amamento consciente de todos os seus benefícios, desde o desenvolvimento da arcada dentária até o aumento do vínculo entre mãe e filho. E acredito que a amamentação é “uma prática humana de preservação de sua espécie em todas as esferas: física, cognitiva e emocional” e que “ela significa a formação de um ser humano em sua plenitude” (Simone de Carvalho - http://www.amsbrasil.com). Mas amamentar é uma das coisas mais difíceis da maternidade!  E torna-se mais difícil ainda, sem o apoio da família. Fico feliz por este não ser o meu caso.

Como sou mãe de 2ª viagem, a minha 1ª experiência com amamentação não foi muito positiva, então me preparei muito para conseguir amamentar Ícaro, que não sabe o que é uma mamadeira.  Fiz curso sobre aleitamento materno e li bastante. Antes mesmo de engravidar queria fazer esse curso e incentivava todas as grávidas que conhecia! Para mim, amamentar tem sido um desafio!

Além do curso, precisei chamar a consultora de lactação aqui em casa. Meu pai foi o primeiro a sugerir (olha a importância do apoio da família). Ícaro era recém-nascido, eu já tinha passado pela apojadura (descida do leite) sem nem perceber (bem diferente da 1ª vez, que eu dormi e acordei com os peitos da Pamela Anderson!), mas apareceu um nódulo que eu não consegui desfazer! Fiquei muito mal. E essa, para mim, é a parte dolorosa e assustadora da amamentação. 

Assustadora porque eu sabia o que aquele nódulo (causado por um bloqueio de ductos lactíferos) podia gerar se não fosse logo tratado. E eu tenho trauma de mastite, que me levou para a emergência e me fez, por ignorância, deixar de amamentar meu primeiro filho. Mas essa é outra história... E dolorosa, porque a enfermeira ficou horas, das sete à quase meia-noite, tentando desfazer o nódulo, extraindo meu leite e massageando minha mama, que ficou muito sensível e, depois de tudo isso, eu ainda precisava continuar amamentando. Então só me restava respirar fundo.

Amamentar também dói por causa dos mamilos rachados. Por mais que você os prepare (tomando sol, não passando sabonete, usando o sutiã aberto e pedindo para a consultora de lactação analisa-los) e observe a pega correta, eles podem ferir! No meu caso não chegou a sangrar, mas sei de mães que dão de mamar leite com sangue! Depois de três semanas amamentando, a dor nos mamilos passou, mas se Ícaro mama errado, volta a ferir. Então é preciso estar sempre atenta à pega. E quando nascem os dentes? Ele, banguela, já dá umas mordidinhas...

Amamentar é trabalhoso e cansativo. Chego até a suar! E, por isso, é também calorento. Tenho que comer bem e de forma saudável (e algumas mães precisam fazer restrição alimentar para não causar cólicas no bebê), beber muita água, usar roupas apropriadas, arranjar um lugar adequado, preparar seu cantinho da amamentação (água, frutinhas, controle remoto, livro, telefone, notebook...), tomar fitoterápicos e chá da mamãe para aumentar a produção de leite, Vitamina C para aguentar a maratona, homeopatia para o emocional, suplemento vitamínico para o sistema imunológico não ficar baixo... 

Você não pode adoecer, tem que tirar leite se você tem muito ou se voltou a trabalhar e quer manter o AME (Aleitamento Materno Exclusivo). E se virar para conseguir um lugar pra fazer isso que não seja o banheiro da sua empresa! Você tem que estar sempre disponível para seu bebê, afinal, você é seu restaurante 24 horas. E então não tem tempo pra mais nada! Nem pra tomar banho ou comer com as duas mãos. Ás vezes até o xixi tem que esperar. Já cheguei a imaginar como seria se pudesse deixar meus peitos com Ícaro e ir ali rapidinho...

Amamentar é solitário, porque os peitos são seus!! Nos do seu marido não sai leite! Por mais que você esteja com seu bebezinho, você está sozinha! É um trabalho que só você pode fazer. Principalmente no início e madrugada adentro. Se te convidam para alguma festa, você pode até ir, mas vai estar cansada e, se o bebê acordar, você precisa largar tudo para dar de mamar. Você come quando dá, então, muitas, vezes, senta-se sozinha (ou com seu bebê pendurado no peito). Ah! E esqueça os drinks ou a cervejinha. 

E é desafiador, porque as pessoas fazem todo o tipo de comentário: desde “você tem pouco leite”, “seu leite está fraco”, “ele está tão magrinho” ou “onde já se viu não dar nem um chazinho?” até “quando é que você vai parar de amamentar?”, “esse menino está grande demais para isso!”, “ele vai ficar apegado”... E é preciso muita autoconfiança para desafiar essas críticas e preconceitos e sentir-se poderosa por ainda ter leite.

Também é desafiador, porque você não pode se dar ao luxo de ficar doente, precisa se cuidar e administrar tudo o que entra em seu sistema, desde comida até medicamentos, tinta pra cabelo... Algumas mães sentem vergonha de amamentar em público e é um desafio ser discreta. Mais desafiador ainda se você não consegue a licença de seis meses e precisa voltar ao trabalho quando a alimentação do seu bebê, segundo o Ministério da Saúde, deve ser, exclusivamente, de leite materno! Os chefes não entendem, não têm paciência; as pessoas não apoiam; mães perdem o emprego e muitas sofrem, porque quatro meses é muito pouco tempo para deixar um bebê longe da mãe.

Amamentar é desanimador. Você não vai ter tempo pra se arrumar, vão dizer que seu peito vai cair (e, às vezes, cai mesmo, mas não por conta da amamentação e, sim, pela própria gravidez - e gravidade rs - e aumento das mamas). Isso pode gerar baixa autoestima. Você não terá tanta vontade para namorar, ou estará cansada demais pra isso. E vai achar que a única pessoa que quer seu peito é seu filho...

Mas... (tem que ter um “mas”, não é? Se não eu não estaria amamentando até hoje rs) amamentar é o melhor que você pode fazer pelo seu filho. Seu leite é feito especialmente para ele (aliás, seu bebê participa ativamente deste processo, porque o leite é fabricado de acordo com suas mamadas), tem a quantidade e o tipo de gordura específica que seu filho (e nenhum outro bebê) precisa naquele momento, atende a todas as necessidades de nutrientes e sais minerais até os 6 meses e seus nutrientes não são encontrados em nenhum outro leite, ajuda o desenvolvimento cerebral, é fácil de ser digerido, por isso provoca menos cólicas, serve para nutrir e proteger, colabora para a formação do sistema imunológico, previne alergias, obesidade, intolerância ao glúten. Além disso, o contato e o vínculo entre mãe e filho têm um efeito positivo no desenvolvimento psicológico da criança. É de graça, natural, prático, e não desperdiça recursos naturais. Só por não precisar lavar, esterilizar, filtrar e ferver água e pagar fortunas pra comprar fórmulas, já vale a pena =)  

Falo sobre a minha experiência e de outras mães que conheci no Facebook. Pode ser que você não tenha passado por nada disso ou nem venha a passar, mas estar consciente ajuda a não ser pega de surpresa e a se preparar. Saiba que você estará sozinha na maior parte do tempo, por isso, participar de um grupo de apoio, como eu participo do AMS (Aleitamento Materno Solidário) é muito importante. Foram madrugadas dando de mamar e digitando no Smartphone pedindo ajuda. E consegui superar muita coisa, ao ponto de passar a ajudar depois.

E se cheguei até aqui, depois de quase sete meses produzindo o melhor alimento para meu filho, é porque acredito que vale a pena. E é agora que começa a ficar divertido, que vejo Ícaro engatinhar por cima de mim atrás do leitinho dele, puxar minha blusa, puxar o peito pra ele com suas duas mãozinhas, me olhar como que agradecido, acariciar meu rosto... E este é o único momento que eu tenho para relaxar (ah, sim, depois de um tempo, a propaganda torna-se verdadeira e você consegue amamentar sorrindo). 

Graças á ocitocina (o tal do hormônio do amor que é liberado no parto e também durante a amamentação) você relaxa muito! Por isso é bom dar de mamar em um local confortável, porque é muito provável que você pegue no sono! E é nessa hora que dá pra dormir agarradinho na rede (a-do-ro!), ou ver minhas séries favoritas, ler um livro ou apenas ficar olhando para aquele ciliozinho do olhinho esquerdo que teima em ser mais comprido que os outros.

Amamentar é tão lindo, tão gratificante e tão mágico, por tudo o que proporciona à mãe e ao bebê e por toda a sua proteção, que eu não sei quando quero parar! Sei que não quero pensar numa data de validade. Ainda bem que nosso leite não estraga! Quero, pelo menos, amamentar até que ele possa falar "mamá".

Ah! Por sinal, na foto sou eu sorrindo =)

 “O seio materno nutre fisicamente, afetivamente e estabelece o fortalecimento do vínculo, sacia a vontade emocional e afetiva do bebê de se sentir pertencido e amado por sua mãe” 
Simone de Carvalho - http://www.amsbrasil.com

Sobre os benefícios: Revista Crescer 

Inspiração: compartilhar para ajudar e leitura do post Amamentar não é fácil do Blog Para Beatriz =) 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Mãe de 2ª Viagem – Espelho, espelho meu...


Obs.: post escrito quando Ícaro tinha 2 meses.

Admiro muito as mães de RNs que encontram tempo (me digam como, por favor!!) para usar maquiagem, fazer unhas e cabelos, escolher roupas e adereços e andar de salto alto! QUANDO saio (ênfase no "quando", porque até o 3º mês só saía para ir ao pediatra), agradeço por estar com os pés certos dos sapatos!

Mantenho as unhas curtas, cabelos presos e repito quase sempre a mesma roupa, já que minhas calças ainda estão apertadas e as blusinhas de botões, que separei para a amamentação, não fecham! Então meu guarda-roupa ficou super restrito. Adereços?? Pra quê? Tudo pode machucar um bebê de colo! E o mais importante pra mim sempre foi o conforto.

Em casa, gosto de usar camisetinhas que esticam e podem ser facilmente abaixadas para dar de mamar. Antes eu achava que tinha que ser tudo de botão. Botão é um saco! Evito ao máximo, porque nada melhor que rapidez e conforto para amamentar um bebezinho chorando de fome. Botões podem, inclusive, machucar seu rostinho. Outra dica interessante que eu li é que você pode vestir qualquer camisa para amamentar. É só suspendê-la. Sério?? Precisava ter lido isso em algum lugar?? Parece que sim, porque todo mundo só fala pra você comprar roupas que abotoam!

Ganhei de presente umas camisetinhas que abrem como os sutiãs de amamentação. Elas são ótimas, porque são muito práticas e confortáveis. São as minhas favoritas. Se preciso sair, coloco um bolerinho por cima e pronto, ou uma batinha, porque aí fica mais fácil, levanto a bata e não mostro a barriga. Meu look favorito.

Não engordei muito durante a minha gestação, mas depois de parir, se você não se chama Angélica ou Cláudia Leite, sai do hospital com uma barriga de cinco meses que demora, pelo menos, uns outros cinco pra voltar! Dizem que amamentar emagrece, mas não contem com isso, porque, no meu caso, ficar em casa sendo o “restaurante” de Ícaro só tem me deixado mais gorda! Não posso contar com isso e, como Ícaro está tomando leite materno exclusivo e em livre demanda (LD), não consigo voltar para o Pilates, porque LD é esquecer o relógio! Qualquer hora é hora. Se ele quiser o peito tenho que estar disponível e pertinho. O “restaurante” tem que estar sempre aberto kkk.

Com tudo isso fica um pouco mais difícil se olhar no espelho. E passo tanto tempo em casa que até evito! Para vocês terem uma ideia, a amamentação e os cuidados com o bebê me deixam tão envolvida e passo tanto tempo em casa que restaurantes mudaram de nome e as vias de algumas ruas foram alteradas! Juro! Um dia desses quando saí de carro ficou parecendo que estava em outra cidade!

É preciso ter paciência. Não é correto fazer dieta (para emagrecer) amamentando, mas é possível comer de forma mais saudável. Possível, mas tem sido difícil pra mim, porque passar o tempo todo em casa aumenta o meu desejo por comfort food, que são aquelas comidinhas que te fazem relaxar. As minhas favoritas são: bolo, brigadeiro, pão quente com manteiga, mingau, Crunch ao leite... humm... E Ana, que trabalha aqui em casa, adooora me paparicar!

Quando “pergunto ao espelho”, não me sinto “a mais bela”. Minha autoestima ficou um pouco baixa, ainda mais quando lá pelos três meses começou a fase da queda de cabelo... E pra quem já tem cabelos brancos? Ah, deixa pra lá, tão caindo mesmo! Não quis usar cintas - são calorentas e incomodam. Então tenho que aguentar quando me perguntam se estou grávida! E, pra piorar minha situação, minha alergia atacou (ela sabe escolher meus “melhores” momentos) e deixou meu rosto e pescoço vermelhos. Ah! E as olheiras deixaram manchas pretas! Mais alguma coisa???

Agora é ter paciência, voltar a me exercitar aos poucos e me esforçar para evitar guloseimas. Para me sentir melhor, fiz algumas compras online (não disse que não saía de casa?) e encontrei blusas lindas feitas especialmente para amamentar e disfarçar a barriguinha pós-parto nas lojas Criando Gente Cia Láctea. Mas, pra falar a verdade, isso que eu falei da baixa autoestima perde um pouco o sentido quando olho pra Ícaro... Ah... Seu grau de fofura compensa qualquer coisa!!!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mãe de 2ª Viagem – O Pós Parto


Li muito durante toda a minha gestação. “O Que esperar quando você está esperando” foi o meu Google. Este livro, “recomendado” por Rachel Green =), tinha resposta para praticamente todas as minhas perguntas! Estudei mais do que na minha pós- graduação, mas teve uma "matéria" que eu passei arrastada: cesariana.

O capítulo do livro que abordava este assunto foi lido muito rapidamente. Não reli ou revisei, muito menos sublinhei e não participei de nenhum fórum na internet! Quando soube que faria cesárea, além do choro, medo, insônia... Não pensei em mais nada. Recebi a notícia de um dia pro outro e só quis saber se me dariam Ícaro para eu amamentar.

Sabe o que é mais estranho? É que eu me senti sozinha... As pessoas me ligavam todo dia para perguntar se Ícaro já havia nascido (como se fosse fácil esconder um acontecimento como esse). Todo mundo estava tão ansioso para conhece-lo que não importava a forma! “Que bobagem que vai ser cesárea! Fique feliz que ele vai nascer!” Não cheguei  a ouvir exatamente essas palavras, mas algo muito parecido. Mas, mesmo sem ouvir, era essa a sensação que as pessoas me passavam.

Se a minha terapia fosse em casa, estaria tentando responder a pergunta “que parte de mim queria a cesárea?” (a minha linha terapêutica nos faz assumir responsabilidade por TUDO aquilo que nos acontece). Cansei de responder “ainda não” quando me ligavam perguntando? Me fiz vítima da nossa sociedade cesarista? Tive medo do meu poder de parir sozinha aos 37 e repetir o feito dos meus 22? Não quis assustar ninguém com os gritos que nem lembro que dei? Tive medo de Beto não chegar a tempo de entrar na sala de parto comigo ou de não conseguir me ajudar a aliviar a dor? Não confiei na humanização do parto da maternidade que escolhi? “Sim” para todas as perguntas. E se eu tivesse tempo, mas estou com um bebezinho que está tomando leite materno exclusivo e em livre demanda=), pensaria em muitas outras para as quais também diria “sim”.

Quanto à humanização do parto, eu tinha mais era que ter medo mesmo! Por mais que meu médico tivesse sido muito amoroso comigo, Ícaro não teve a mesma sorte. Ele foi virado e revirado e passou por quase todos os procedimentos hospitalares, muitas vezes, ultrapassados. São intervenções de rotina que não levam em consideração a individualidade de cada bebê e que, muitas vezes, são desnecessárias! O colírio, por exemplo, só é indicado para bebês que nascem de parto vaginal cuja mãe seja portadora de gonorreia!! E o banho no berçário? Tenho vontade de chorar quando vejo as fotos...

Achei esquisito não poder recebe-lo imediatamente em meus braços, com sangue e tudo! Mas estava com soro de um lado e sendo monitorada do outro (braços presos como numa cruz =(. A enfermeira simplesmente o colocou para mamar (se é que podemos chamar “sugar durante alguns segundos” de mamar!!!) e tirar umas fotinhas perto do meu rosto. Queria poder tocá-lo e só fiz isso umas cinco horas depois!!!! Sem falar que, quando o trouxeram para meu quarto, disseram para aguardar a enfermeira que me ajudaria com a amamentação. Só que essa enfermeira não chegava nunca e eu, abestalhada, achando que Ícaro fosse “de quebrar”, obedeci e fiquei só lhe olhando... Até que ele chorou e eu não aguentei mais esperar e pedi para minha mãe coloca-lo em meus braços!!

Esquisito também foi ficar sozinha depois que todo mundo saiu da sala de cirurgia. As enfermeiras, no maior bate-papo, não me deram nem “oi”. E eu ali, sem sentir nada da cintura pra baixo... Agora foi a minha vez de ser virada e revirada pra ser levada de volta pro quarto. Me lembrei do filme O Renascimento do Parto: vocês podem fazer isso todos os dias, mas eu nunca fiz! E que agonia! Uma sensação que iam me derrubar a qualquer momento!

Mas depois que finalmente consegui pegar Ícaro em meus braços e dar de mamar, tudo é esquecido. Esqueci até que fiz cesárea e me abaixei! Não falei que “passei arrastada?”. Não sabia os do’s e don’t’s de um parto cirúrgico. Sorte que a minha preparação para o parto natural, de certa forma, me ajudou. No primeiro dia, ainda sob o efeito da anestesia, estava me sentindo muito bem. Mas no segundo... estava péssima!! E até hoje, três meses depois, ainda sinto um certo incômodo na área do corte. Ás vezes esqueço que foram sete camadas e uma cirurgia de médio porte. Ah... Nada se compara ao pós-parto natural!

domingo, 19 de agosto de 2012

Mãe de 2ª Viagem – Minha 1ª Cirurgia


Para quem nunca arrancou os cisos e a única anestesia conhecida era Emla para uma depilação definitiva, é natural que eu morresse de medo de uma ráqui. Só para lembrar, meu primeiro parto foi natural sem nenhum tipo de anestesia. Também não aprendi nenhuma técnica. Controlava a dor pelos meus gritos. Então, agora, grávida novamente depois de 14 anos, estava decidindo se meu parto seria natural (sem anestesia ou analgesia, como meu primeiro) ou via vaginal, mas com algum tipo de analgesia. Resultado? Fiz minha primeira cirurgia!

Quem vem acompanhando as minhas histórias 
sabe que sou contra cesárea eletiva e escrevi sobre o conceito de parto responsável que eu li em The Pregnancy Book by Dr. Sears. Pois foi isso o que aconteceu. Por mais que eu quisesse um parto natural /normal, eu e Ícaro queríamos esperar minha mãe voltar de viagem e o trabalho de Beto, em uma cidade do interior, terminar para que ele pudesse estar presente, pelo menos nas primeiras semanas.

E Ícaro, não fazendo jus ao nome, obedeceu direitinho. Ele esperou, esperou, esperou... Esperou tanto que, mesmo dando fortes sinais de que já estava pronto (tive muitas contrações desde a 37ª semana)
, quase chegou à sua data provável (28/05).

Eu sei que a gestação pode chegar a 42 semanas, mas também sei que tudo começa a ficar mais delicado e o acompanhamento mais frequente para que não haja risco nem para a mãe, nem para o bebê. Então, ao constatar que o líquido amniótico diminuiu, meu médico pediu para marcar a cesárea.

Chorei muito ao ouvir “vamos precisar tirar amanhã”. Foi isso mesmo que eu ouvi? Tirar?? Já saí de lá para reservar o quarto e me consultar com o anestesista. Beto já estava de volta e me acompanhou juntamente com minha mãe. Eram as duas pessoas que eu queria ao meu lado neste momento.

De volta para casa, tiramos as últimas fotos de Ícaro na barriga. Estava com muito medo da cirurgia (bem, agora não tem mais jeito, não posso ficar grávida para sempre!) e medo do novo (será que não está faltando nada e eu vou saber cuidar dele?). Também estava muito ansiosa... Simplesmente não conseguia dormir. Às quatro da manhã estava no banho e, meia hora depois, saindo de casa para pegar minha mãe e ir para a maternidade.

Tínhamos que chegar duas horas antes, ou seja, às cinco. Horário marcado pelo meu médico e confirmado com a recepcionista na tarde anterior, mas, ao chegarmos lá, descobrimos que só poderíamos ir para o quarto às seis. Aproveitei para colocar em prática as técnicas de respiração que usaria em meu trabalho de parto (e que agora não serviam mais pra nada!!) para fazer o tempo passar e permanecer calma.

Estava triste e com medo. Não conseguia pensar no nascimento do meu filho. Só sentia medo da cirurgia e culpa (onde falhei?). Mas a presença de Beto foi fundamental e eu logo fiquei mais animada. A princípio não queria que ninguém soubesse e depois, que soubessem, mas com muita explicação e justificativa...

E ter contado foi a melhor coisa que fiz, porque senti muita emoção (não me lembro de ter chorado tanto!) ao ver meus familiares através da janelinha da sala de cirurgia. Eles assistiram a tudo! Não só viram Ícaro nascer, mas presenciaram toda a cirurgia!

Durante o processo cirúrgico, não senti nada. Não tinha idéia do que estava acontecendo. Não podia participar (li tanto, fiz até curso!), mas olhava para a minha família e cada um expressava uma emoção diferente e isso, de certa forma, também me deixou bastante emocionada. Beto estava sempre comigo segurando a minha mão, fazendo carinho e trocando olhares. E, ás vezes, eu não acreditava que um sonho de dois anos e meio tentando (essa foi a parte boa, hun?), mais nove meses gestando, estava sendo realizado naquele instante!

A cirurgia foi muito tranquila, melhor do que eu imaginava. O anestesista foi muito especial, contando cada detalhe do procedimento, me confortando e checando como eu estava do início ao fim. Não doeu nada. Ardeu um tiquinho, mas meu médico segurou a minha mão na hora (Beto só podia entrar depois que tudo estivesse arrumado).

Beto estava apreensivo, parado na porta sem poder entrar. O anestesista, com quem me consultei no dia anterior, foi tranquiliza-lo. Também veio falar comigo, dizer que ele não seria meu anestesista, pois já havia sido escalado para outra cirurgia, e me apresentar o anestesista que ficaria comigo. Ele sabia que era a minha 1ª cirurgia e que eu estava com medo, principalmente da anestesia. Fiquei mais tranquila com sua atenção e cuidados.

E o meu medo de sentir alguma coisa ao ser cortada (só me lembrava de Dexter)? Me tranquilizaram. Disseram que iam me perguntar antes de me cortarem! Estavam todos cuidando de mim. Quando meu médico abriu a cortina da janelinha, eu logo perguntei: “nasceu??”, mas era a cirurgia que começava. Só que, em apenas sete minutos, já estávamos ouvindo um chorinho tímido... Foi quando eu tornei a perguntar se era mesmo ele, ainda sem acreditar...

E Ícaro nasceu. Não foi "tirado". E, meu médico, tentando me confortar, perguntou: “não é porque foi cesárea que foi menos emocionante, não foi?”.

Foi emocionante sim. Não tem como não ser. É seu filho chegando para te conhecer! Mas o que eu não sabia, era que até hoje, quase três meses depois, ainda sinto alguma coisinha no local desse corte e que eu não estava nem um pouco preparada para um pós-operatório... Mas isso fica para uma próxima história.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – O Parto Cirúrgico Eletivo e o Amor


Escrevi um post falando sobre o Parto Responsável, no qual eu dizia que o meu parto não será normal, nem natural, nem puro, nem humanizado, nem vaginal, nem cirúrgico... Será responsável! E a principal responsável por ele é a mãe. Afinal de contas, as escolhas são feitas por ela, desde o médico até a opção de manter-se bem informada. E, tendo acesso a informações confiáveis, de fontes seguras como os livros, por que, muitas dessas mães, ainda fazem a opção por um parto cirúrgico eletivo?

A cesariana é uma cirurgia 
segura, mas de grande porte. Ela deveria ser feita apenas por indicação médica, quando há algum tipo de risco para a mãe ou para o bebê. Ela serve para salvar vida e não para salvar tempo! Mas há uma predisposição para a cesárea  no Brasil. E o índice é tão alto que uma amiga foi pedir para fazer cesárea na Alemanha e ouviu da parteira "você está achando que isso aqui é Brasil ou Hollywood?".

Sabemos que o valor do plano de saúde não compensa, que os médicos ganham mais em um dia de consultório do que em um parto normal e que, por isso, os planos não têm interesse na gestante de parto normal. Então o “parto passou a ser um ato cirúrgico ao invés de um evento fisiológico”.

Entretanto, o trabalho de parto é algo fundamental para o nascimento. Existe toda uma preparação do corpo da mulher desde a 1ª semana de gestação. Nosso quadril vai se alargando aos pouquinhos, nossas articulações tornam-se muito mais flexíveis e, já no final, a ocitocina é liberada, as contrações começam, o colo do útero dilata... e ainda temos a endorfina como anestésico natural que alivia um pouco o desconforto dessas contrações! Sem falar na própria passagem do bebê pelo canal vaginal que faz com que ele seja massageado, o que ativa o seu sistema nervoso! Não é lindo?

O parto normal também é mais seguro, “é artesanal" e não uma "produção em série"  em que “o ator principal do parto tornou-se o médico, o homem; o produto deste nascimento é o bebê e a mulher é o subproduto secundário.” E, para manter este modelo obstétrico atual, foi necessário construir a idéia de que a mulher é mesmo este subproduto secundário, incompetente e incapaz de dar conta do processo do nascimento por si mesma.

Mas toda mulher sabe parir, toda criança sabe nascer e cada parto é único! O que eu menciono entre aspas foi tirado do trailer promocional do filme Birth Reborn - O Renascimento do Parto que eu não vejo a hora de assistir! Uma das partes mais interessantes e que mais chamou a minha atenção foi quando um dos entrevistados comenta: “nós combinamos com o bebê que ele vai nascer sexta-feira às quatro da tarde? E, se combinamos, ele respondeu pra gente que ele tem condições de nascer?”.

Eu, por exemplo, estou há duas semanas esperando por Ícaro =) Entre uma brincadeira e outra de que ele estava esperando nossa festinha passar, a minha mãe voltar de viagem e parece que agora ele espera o trabalho do pai (em uma cidade vizinha) terminar, estou tendo as contrações do pré-trabalho de parto, ele já encaixou e desencaixou, recebo telefonemas de amigos e parentes ansiosos, curiosos e preocupados e eu vou lidando com a minha ansiedade, curiosidade e preocupação também. Ícaro pode chegar até 05/06 naturalmente, então, qualquer dia é dia =) Parto natural é o meu maior desejo e esse momento de "será que é hoje?" é a parte mais divertida dessa história toda! Mas, sendo responsável, preciso também estar aberta para alguma intervenção cirúrgica caso haja indicação médica.

Por que tanto tempo de espera? Bem, estou dentro do limite de 38 a 42 semanas - estou na 39ª, mas ainda não se sabe o que dá início ao nascimento. Há muitas teorias. Uma delas diz que a mãe libera a ocitocina quando o bebê está completamente desenvolvido e pronto para nascer. A ocitocina é conhecida como o hormônio do amor e é responsável pelas contrações. Os cientistas já conseguiram sintetizá-la e a usam para induzir o trabalho de parto. Infelizmente, como a cesárea, ela é usada rotineiramente e não apenas quando há uma real necessidade para evitar a cirurgia.

Há outra corrente, que eu acho mais interessante, que diz que não é o corpo da mãe o responsável por dar início, mas, sim, o próprio bebê que manda um sinal de que seus pulmões já estão prontos. O fato é que quando o bebê está pronto ele dá o sinal e as contrações começam! E o que é responsável por essas contrações? O amor!! E quando as mulheres passam a agendar seus partos, antes mesmo de sentirem as contrações, escolhendo data, hora e signo dos seus filhos, a ocitocina, o hormônio do amor, responsável pelas contrações, deixa de ser utilizado! E aqui termino com uma pergunta do filme para que todos possam refletir: 
“E o que significa isso a nível de civilização?” 

Livro que eu recomendo para quem quer se aprofundar no assunto: 
Parto normal ou cesárea? de SimoneGrilo Diniz e Ana Cristina Duarte da Editora Unesp.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – As visitas


Nascimento é sempre uma festa! A família e os amigos parecem estar mais ansiosos que a mãe para conhecer o bebê. Estou na 39ª semana, em casa, tendo contrações de Braxton Hicks desde a 37ª, já passei por um falso trabalho de parto e, agora, procuro descansar bastante, dormir cedo, porque, há quase duas semanas, qualquer hora é hora.

Muitas pessoas me ligam para saber como eu estou. Beto está trabalhando em uma cidade a um pouco mais de uma hora de Salvador, me liga todo dia e está pronto para jogar tudo pra cima e vir correndo sem nem passar no hotel. Minha mãe pede que eu, assim que acorde, ligue para ela para dizer como passei à noite. Isso porque ela tem receio de me ligar e terminar me acordando, o que já aconteceu. Minha avó interfona e desce para me ver quase todo dia. Minha irmã está com o celular sempre ligado. Essa forma de carinho é importante e muito bem-vinda, mas a minha resposta é quase sempre a mesma: estamos bem, estou tendo contrações esporádicas e Ícaro pode nascer a qualquer momento. 

Então, a qualquer momento, Ícaro irá receber suas primeiras visitas. O que, além do telefonema de Tetem (prima-irmã de Beto e mãe de dois), me inspirou para escrever sobre um assunto importante: as visitas.

Sobre o fato de ser melhor visitar na maternidade ou em casa, prefiro que vocês leiam o Blog Mãe para Mães, mas quero adiantar alguns pontos:

É natural que todos queiram festejar.  Muitas visitas e muita festa fazem parte da celebração desta nova vida, mas é preciso ficar atento ao barulho e à quantidade de pessoas, para que não comprometam a interação dos pais com o bebê. Afinal, os pais estão em fase de adaptação e necessitam de tranquilidade.

A mãe também deve estar “atenta para que nada prejudique sua disposição e seu humor em amamentar e cuidar do bebê. Se perceber que algo está atrapalhando o andamento de suas atividades com o seu filho ou que seus sentimentos estão se modificando - por exemplo, tornando-se mais instáveis do que gostaria -, a mãe deve pedir ajuda ao seu companheiro ou a outra pessoa em quem confie.” (Filhos: da gravidez aos dois anos de idade, Sociedade Brasileira de Pediatria).

O ideal é que as visitas (1) levem em consideração os horários da maternidade ou liguem para saber qual o melhor horário para visitar em casa, sendo que o ideal é esperar passar o 1º mês, (2) evitem aparecer se estiverem doentes (o bebê tem imunidade zero!), (3) evitem tocar no bebê, mas, se o fizerem, tocar apenas na cabeça e nos pés (e NUNCA nas mãos e no rosto), (4) lavem bem as mãos com água e sabão e passem álcool-gel a 70% (os pais têm esse mesmo cuidado, porque as visitas não teriam?) e (5) sejam breves, pois os pais estão criando vínculo com o bebê, a mãe está entrando em sintonia com a amamentação e talvez ainda esteja sentindo as dores do pós-parto.

Tomando essas cuidados, todas as visitas são muito bem-vindas, porque, afinal, estaremos celebrando um amor que se tornou visível e a presença de pessoas queridas só faz contribuir para mais amor!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – Sonhos na Gestação


Acabo de sonhar que eu e Beto estávamos viajando, Beto carregava um monte de coisas, entre elas um tubo e um cano com uma faca na ponta. O lugar, que parecia ser um aeroporto, estava bem cheio. Passávamos pelas pessoas e eu me preocupava com a faca, para que não machucasse ninguém (1). Queríamos comprar ou pagar um livro (2). Depois que fizemos isso eu lhe disse que precisava ir ao banheiro antes de embarcar (3). Havia outras pessoas com a gente. Andamos muito procurando por um banheiro, pegando caminho errado, elevador sem funcionar, o lugar era um pouco escuro, como se estivesse ainda em reforma (4). Uma das pessoas perguntou “para quando é o bebê?” (5). Beto respondeu “para sexta”. Daí a pessoa comentou “Ah, vai ser cesárea?” No que eu, impacientemente, respondi (6) “Não... Sexta-feira é só um palpite...” (7).

Minhas interpretações:
(1) Meu medo de fazer cirurgia;
(2) Minha preocupação em estar preparada e lembrar de tudo que li;
(3) De fato acordei desse sonho para ir ao banheiro, porque dormi tarde e não levantei nenhuma vez durante a noite, ao contrário de todas as outras que levanto três ou quatro vezes;
(4) A reforma do meu apartamento, que ficou pronto recentemente, incluindo o quarto e o enxoval de Ícaro, que me deixava sempre em dúvida se ficaria tudo pronto à tempo;
(5) Perguntas frequentes do último mês, feitas por qualquer pessoa, principalmente por quem você não conhece: “para quando é o bebê?”, “Parto normal ou cesárea?” e “É menino ou menina?”, sendo que, esta última, acompanha você a gestação inteira.
(6) Meu desejo de ter parto normal e o fato de eu ser contra o parto cirúrgico eletivo.
(7) Sexta-feira, 18/05, é palpite de meu amigo Ban (que me disse, "do nada", que Ícaro nasceria hoje ou amanhã) e de meu primo Rico, mas só porque é seu aniversário. E Beto chegou a comentar, por causa do seu trabalho, que sexta era o melhor dia da semana, porque ele já teria colocado o sistema para funcionar.

Sempre gostei muito de sonhos (me apaixonei pelo filme “A Origem”!). Costumo anotá-los (durmo com um  caderno ao meu lado) e levá-los para terapia quando é muito mais fácil interpretá-los. Esse eu achei claro. Mas tem detalhes que eu sei que minha terapeuta iria me ajudar a desvendar mais facilmente, porque ela sempre faz as perguntinhas certas =) Vale lembrar que por mais que você sonhe com outras pessoas, o sonho é sempre seu, são partes suas e eles servem para manter nossa mente mais saudável, porque nos ajudam a solucionar nossas preocupações e medos e a lidar com a ansiedade, no meu caso, da maternidade.

Segundo Murkoff, os sonhos mais comuns manifestados durante a gestação são sobre:
Lapsos ou descuidos = receio de não estar à altura da maternidade que se aproxima;
Perigos iminentes = vulnerabilidade;
Pedidos de socorro quando presa sem chance de escapar = medo de se ver privada da liberdade pela vinda do bebê;
Negligência ao sair da dieta = adaptação à dieta rigorosa;
Aspecto físico = medo de que a gravidez destrua sua aparência para sempre e a afaste do marido;
Sexualidade = confusão e ambivalência sexual experimentada durante a gestação;
Lembranças do passado = união das velhas e novas gerações;
Vida familiar com o novo bebê = surgimento do vínculo mãe/pai e filho antes do nascimento;
Como o bebê será = ampla variedade de preocupações (saúde, inteligência, sexo, cor dos olhos e do cabelo)
Trabalho de parto = medo de se passar pelo trabalho de parto.

A minha sugestão é prestar mais atenção aos sonhos desse período para saber o que eles dizem sobre os seus sentimentos. Lide com eles agora e faça uma transição mais tranquila da fantasia dos sonhos para a realidade da chegada do bebê =)

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – O Parto Responsável


O meu primeiro parto foi há 15 anos. Tinha 22 anos, muita vontade de ser mãe e encontrei um médico que acreditava que não eram necessárias analgesia (diminuição da dor) ou anestesia (eliminação da dor). Como eu tinha muito medo do tamanho da agulha da epidural, tranquilamente optei pelo parto natural, ou puro, o que significa sem drogas ou intervenções tecnológicas.

Relendo minha Agenda da Gravidez encontrei relatos do tipo:

  • “O parto foi como eu esperava. Estava tão curiosa para saber como seria. Exigiu muito de mim. Eu estava concentradíssima e muito séria. Até me preocupei se eu fazia alguma cara mal-humorada num momento tão lindo...”;
  • “O meu parto foi demais! Correspondeu às minhas expectativas. Só faltou a musiquinha de fundo, mas acho que terminou nem fazendo falta”;
  • “Fiquei exausta com tanta abdominal”;
  • “Minhas contrações ficaram espaçadas e meu médico recomendou o soro*. Eu não quis e dei tudo de mim para Thiaguinho nascer. Cheguei a dizer ‘peraê que ele vai nascer agora’”;
  • “Não tinha idéia da sensação forte (para não chamar ‘dor’) e nem da força que meus braços teriam que exercer”;
  • “Eu amei o nascimento de Thiago. Pareceu cenas de filme. Sensações muito fortes. Flashbacks”.
* o que hoje eu sei que era a ocitocina

Tudo isso me faz acreditar que a experiência foi ótima. Mas o que as pessoas relatam é que eu gritei muito, que espantei todo mundo do hospital, que eu sofri e que depois do meu parto perderam a coragem de ter filho! Saber disso mexeu um pouco comigo. Me deixou com medo de tentar um parto natural novamente e eu continuava com medo da epidural. Não só da agulha, mas da consequência de perder o controle do que está acontecendo comigo e com meu filho e de não conseguir participar ativamente. E só agora soube (acho que não li o suficiente aos 22 anos) que esses anestésicos e analgésicos vão para o bebê e que ele pode nascer sob o efeito dessas drogas!

Não quero provar nada a ninguém (será que quero provar a mim mesma?) e estou aberta a experimentar algum analgésico que diminua a dor, mas que me permita participar ativamente de todo o processo do trabalho de parto. Sei que é difícil encontrar a dosagem certa, que cada pessoa reage de uma forma, que a analgesia/anestesia dada na hora errada pode prejudicar o trabalho de parto, etc. Mas também sei que se a mãe estiver muito cansada ou com muita dor pode também desacelerar o processo.

Agora é confiar em meu médico e na equipe do hospital, sabendo que é melhor um parto vaginal com essas intervenções do que partir para uma cirurgia. Acontece que eu também preciso estar preparada para esta possibilidade. Por mais saudável que a minha gravidez esteja sendo, existem fatores de risco que nem o meu médico nem o hospital querem correr. Estou na 38ª semana e Ícaro está com 3,601 kg, 50,03 cm e 9,49 de diâmetro biparietal. Segundo procedimentos do meu médico, o parto vaginal acontece até 3,800 kg e com 9,5 cm de DBP. Claro que a USG tem suas margens de erro e ele irá tentar o parto vaginal antes de partir logo para uma cirurgia.

Não preciso rotular meu parto, apenas focar na experiência que vou ter e em todo o seu significado. Nem normal, nem natural, nem puro, nem humanizado, nem vaginal, nem cirúrgico... O meu parto será responsável! O que significa que eu fiz meu dever de casa, estudei as opções, fiz meu plano de parto baseado na filosofia de nascimento na qual acredito, escolhi a maternidade e meu médico com muito critério, li muitos livros e discuti suas informações, participei de cursos, exercitei meu corpo, etc. E, independentemente do nascimento de Ícaro ocorrer ou não de acordo com meus planos e desejos, irei entrar na sala de parto (de preferência na sala PPP da Maternidade Santamaria =) com todas essas ferramentas e poderei chamar o meu parto do que eu quiser e me sentir bem com relação a isso!

Post inspirado no livro The Pregancy Book by William and Martha Sears.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – O Falso Trabalho de Parto


Segunda, passei a noite toda praticamente acordada. Não sabia se eram cólicas intestinais, contrações de Braxton Hicks (falsas contrações) ou as verdadeiras. Beto estava trabalhando em seu gabinete, do outro lado do nosso apartamento e eu não conseguia nem levantar para falar com ele (só ligando, porque eu também não ia gritar). E também não sabia o que ia dizer... Estava, de fato, MUITO confusa. Ou com medo! Não me sentia nem um pouco preparada para entrar em trabalho de parto esta noite. Ainda mais depois que recebi mais roupinhas de cama, um moisés lindo, um gaveteiro muito bacana e estava planejando pegar o enxoval no dia seguinte! Pois é... Foi exatamente o que escrevi no post É preciso estudar!: “nunca estaremos 100% preparados para a chegada do nosso bebê”.

Em um dos livros dos Sears, não lembro se foi The Pregnancy Book ou The Baby Book, ele comenta sobre uma de suas pacientes famosas que passou por muitas dificuldades durante a amamentação, mas que, durante uma entrevista, relatou que foi tudo muito fácil. Dr. Sears gostaria que ela tivesse compartilhado a verdade, para que outras mães soubessem que todo mundo passa por dificuldades, insegurança e medo. Às vezes me pergunto se o parto de Gisele Bündchen (parto natural, dentro da banheira de casa e sem anestesia) foi tão perfeito assim como ela descreveu (consciente, presente, tranquilo, nem um pouco dolorido).

Então, apesar de não ser nenhuma celebridade, sei que tem muitas mães lendo o meu blog e não me envergonho de dizer: fiquei com medo, sim. E confusa!

Lembro que com Thiago, meu primeiro filho, senti contrações de manhã (quem sabe não senti durante à noite, mas estava dormindo profundamente?), fiquei um pouco na dúvida, só sabia que sentia algo diferente e decidi ligar para o meu médico que me mandou ir direto para o hospital. Ele nasceu 4 horas depois e eu estava na 39ª semana. Para quem não sabe, os bebês a termo nascem entre a 37ª e a 41ª semana e 6 dias. Com Ícaro estava tranquila, porque não senti nada durante toda a minha gravidez, nem inchaço, nem dores lombares, só dorzinhas no assoalho pélvico e no cóccix que eu sabia que era o corpo se preparando desde muito cedo para o grande dia. Por isso, tinha certeza, que quando sentisse algo diferente, ou mais forte, seriam as verdadeiras contrações do trabalho de parto.

E eu senti algo diferente, forte, que eu não conseguia distinguir quando começava nem quando terminava. Baixei até um free app no meu iPhone que é muito legal. Chama-se Contraction Monitor. Você marca quando cada contração começa e termina e descreve a intensidade da dor. E ele gera histórico, resumo, gráfico, tira foto da tela, envia por e-mail, acessa seus contatos para aquelas ligações importantes, etc. O problema é que eu não conseguia marcar o início nem o fim do que eu sentia. Aliás, nem sabia se eram mesmo as contrações! Cheguei a pesquisar em alguns livros a diferença entre o falso trabalho de parto e o verdadeiro. Isso às 3 da manhã!! Mas, por via das dúvidas, carreguei as pilhas da máquina, coloquei o que faltava na minha mala da maternidade e fui tomar banho. Ainda lembrei de um item importante que deve fazer parte da listinha da mala da maternidade que eu não adicionei: a roupa da ida para a maternidade!! Só falam da roupa da saída da maternidade do bebê, o que não faz nenhum sentido para mim, já que eles saem todos enrolados em mantas... Mas e a nossa roupa para ir para a maternidade?  Não dá para perder tempo escolhendo e também não dá para pegar qualquer uma. Enfim, voltando para o meu drama...

Depois do meu banho, Beto continuava trabalhando e eu me revirando na cama. Não fazia sentido chamá-lo. Estava com medo dele surtar: “como você não sabe o que está sentindo?”, “já não passou por isso?” “pra que serviu tantos livros?”, “não está muito cedo?”, “ a data prevista não é 28?”, etc, etc. Mas era tudo paranóia da minha cabeça. Quando Beto terminou de trabalhar, lá pelas 3 da manhã (é na madrugada que ele produz mais), conversei com ele que se mostrou preocupado, atento e disse para eu ligar para nosso médico de manhã. E foi o que eu fiz.

E assim que eu descrevi minha noite, ele pediu para me ver. Fui ao consultório e ele confirmou que eram as contrações do falso trabalho de parto ou de Braxton Hicks (médico obstetra do século XIX que descobriu essas contrações), pois o colo do útero estava intacto (ele fez o primeiro exame de toque). Confesso que foi um misto de frustração e alívio =) Mas disse que acredita que Ícaro deva nascer no Dia das Mães! Neste domingo! Pois ele já está encaixadíssimo com 3.453kg e 50.03cm!! Seria o iniciozinho da minha 38ª semana. Disse que ele sempre faz parto no Dia das Mães e que o desse ano deve ser o meu. Será??

obs.: "O trabalho de parto verdadeiro provavelmente não terá começado se: as contrações não forem regulares e não aumentarem em frequencia e em intensidade, as contrações cederem se a gestante caminhar ou mudar de posição, os movimentos fetais se intensificam brevemente com as contrações. (Avise o médico imediatamente se essa atividade se tornar frenética.)" (MURKOFF, 2010).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Gravidez aos 36 – O Último Mês


Meu último mês começou há dois meses! É que todo mundo comentava que a minha barriga estava enorme, perguntava se já era pra agora, dizia que ‘tava perto, etc. Mas meu último mês é maio mesmo! Mês das mães =) A não ser que Ícaro seja preguiçosinho ou esteja muito confortável aí dentro, ele pode deixar pra vir até 04 de junho. Louco por isso está o pai, porque seu aniversário é dia 03.

Mas vir depois da data prevista só serve para aumentar nossas preocupações com o monitoramento fetal cada vez mais constante, já que o líquido amniótico começa a secar, para Ícaro ganhar peso e para aumentar o risco do uso da ocitocina para induzir o trabalho de parto ou de fazer uma cesárea. Por isso eu torço para ele nascer na 39ª semana, de 20 à 26/05, sendo que meu palpite é dia 22.

Só que com a possibilidade de Beto trabalhar no interior, talvez seja melhor Ícaro chegar na 40ª semana mesmo. Na semana da sua data prevista, 28/05. Mas é ele quem sabe... E essa é a parte mais divertida de toda a gravidez =)

O interessante desse último mês é que parece que ninguém aguenta mais te ver grávida ou, se for parente ou amigo, estão muito ansiosos para conhecer Ícaro e já nem querem mais saber de você! Por isso o índice de depressão pós-parto é alto. Você passa de super-hiper-mega paparicada para super-hiper-mega ignorada! Tudo passa a girar em torno do bebê. Mas não se preocupem, estou super-hiper-mega consciente disso e a depressão pós-parto* vai passar longe =)

Para vocês terem uma idéia do que eu estou falando, hoje, ao chegar no meu Pilates, ao invés de “Bom dia, Karina”, a recepcionista exclamou: “Ainda!?”. E eu disse: “Bom dia pra você também”. Brincadeirinha... Eu me divirto com as coisas que ouço...

E minha avó, que mora no andar de cima? Ontem, ao chegar em casa, ela percebeu que todas as luzes do meu apartamento estavam apagadas. O que vocês acham que ela pensou? Pois bem, estávamos indo para uma festinha de aniversário quando minha tia me liga para perguntar se estava tudo bem, porque minha avó pensou que eu já tivesse ido para a maternidade. Não satisfeita, mais tarde, ela ainda desceu para confirmar se eu estava bem mesmo (ou se estava escondendo Ícaro em algum lugar??).

Eu só tenho que achar graça e ser grata a tantas preocupações e cuidados. Minha mãe, que já havia programado uma viagem para este mês de maio, antes de saber que eu estava grávida, ligou para todas as cunhadas e deixou todos os meus parentes de plantão! Recebi várias ligações de apoio das minhas mães substitutas que me fizeram me sentir muito querida =) Mas, por causa de tudo isso, eu passei a atender o telefone assim: “Oi! Ainda não nasceu não, viu?”.

* A depressão pós-parto é assunto sério. Ela não é somente causada pelo estado emocional, mas também pelas mudanças hormonais (os níveis de estrogênio e progesterona declinam precipitadamente depois do parto). Mas por que nem todas as mulheres passam por isso? Provavelmente pela mesma razão que nem todas tem TPM. Geralmente ela se manifesta na 1ª semana após o parto. Fique atenta aos sinais e peça ajuda. Também é bom observar se o marido não está sofrendo. É sério! A depressão pós-parto está se tornando muito comum entre os novos papais: “Muitos dos fatores que desencadeiam a melancolia nas mães também afetam os pais, embora de forma diferenciada - eles podem sentir-se paralisados e despreparados, incrivelmente exaustos e muito preocupados com as mudanças na dinâmica familiar e no estilo de vida. Até os hormônios são afetados.” (MURKOFF, 2010).

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Gravidez aos 36 – Book Gestante e Trash the Dress


Em um dos posts sobre meu casamento eu falei sobre as fotos e a moda do trash the dress. Além das fotos da cerimônia e da festa, começaram a fazer parte do book da noiva o making off, a história do casal com um monte de fotinhas românticas dando a volta na praia de mãos dadas e o tal do trash the dress, que não é nada além de fotos em outros ambientes, de preferência mais naturais como praias e campos, usando o vestido de noiva. Quer dizer... Vocês acham que as noivas deixariam seus lindos e caríssimos vestidos serem banhados pelas ondas do mar? Elas usam outro qualquer ou alugam um mais baratinho só pra isso.

Eu tinha até achado a idéia interessante e pensei em levar o meu vestido (ou melhor, saia e corsette) para a minha próxima trilha na Chapada e inventar algumas fotos com Beto. Só que... Adivinhem o que aconteceu um pouco depois da nossa lua-de-mel? Ícaro aconteceu! Levamos dois anos e meio tentando engravidar, mas ele só veio depois que celebramos nosso casamento, curtimos a lua-de-mel e demos entrada no civil!

Então, ao invés de fazer o meu trash the dress pelas cachoeiras da Chapada, tive a idéia de fazer uma coisa só, tirando proveito do meu book gestante. Mas essa idéia só me ocorreu depois que eu vi o portfolio de Bianca Martinez. Me desculpem as outras mães, mas eu não gosto nem um pouquinho das fotos com sapatinhos na barriga e nomes escritos com batom vermelho. E Beto nunca tiraria uma foto beijando minha barriga!

Eu já estava sem esperanças com relação às fotos gestantes. Um amigo fotógrafo havia sugerido fazer algumas fotos, sei que ele faria um trabalho super diferente, mas não quis incomodá-lo. Havia entrado no 7º mês e não encontrava ninguém que fugisse das fotos de sapatinhos, coraçõeszinhos e maridos beijoqueiros. Foi então que encontrei um book de Bianca em uma loja gestante e me encantei!

Comecei a ter várias idéias, entrei em contato com ela e falei rapidamente o que queria por telefone mesmo. Quando vi que as minhas maluquices eram possíveis, agendei. Fizemos as fotos no Caminho das Árvores. Como eu sabia que Thiago e Beto não gostam de tirar fotos, não me estressei e fui sozinha.

Trocar de roupa com barrigão, no meio da rua, foi um desafio. Bianca disse que podia usar a casa de um amigo, mas preferi a praticidade de ir de calça, fazer algumas fotos com ela e, na hora que precisasse vestir a saia, colocava ela por cima e depois tirava a calça. Tudo isso entre dois carros. Mas pior que isso foi tirar o Converse e colocar o coturno! Ícaro dificultava amarrar os sapatos, sabe?

Outros desafios foram deitar na grama de barriga pra cima (o útero pressiona a veia cava e a aorta e diminui o retorno venoso, dificultando o fluxo de sangue de volta para o coração e para o bebê, além disso, a grama espetava bastante!), passar a tarde toda tirando fotos em diversos pontos da praça, não ir ao banheiro, fazer cara de feliz quando estava exausta, responder às perguntas de Bianca quando eu sabia que ela só queria me distrair para fotografar expressões faciais mais espontâneas, etc. Mas tudo isso valeu muito a pena!

Passamos a tarde inteira pra lá e pra cá. Alguns curiosos olhavam, mas eu abstraia e fingia ser modelo gestante concentrada em meu mais novo trabalho para a revista Crescer =) Eu tive as idéias e Bianca o olhar. O resultado saiu fantástico! Quem ainda não viu, pode conferir no Meu álbum online ou no blog de Bianca.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Gravidez aos 36 – É preciso estudar!


A gente lê, se informa, estuda, participa de palestras, conversa com outros casais grávidos, mas nunca estaremos 100% preparados para a chegada do nosso bebê, porque este é um acontecimento muito natural e intuitivo e precisamos escrever nosso próprio manual de instrução.

Mas não me canso de ler, me informar, estudar, participar de palestras e conversar. Pelo contrário, quero mais! É gratificante saber que, ao assistir uma apresentação, já domino o assunto, já sei as respostas de algumas perguntas, mas sei também que há sempre algo a aprender, o que me mantém motivada. E esta é a base para a escrita do nosso manual: conhecimento.

Lembro que ao decidirmos ser pais, passou logo pela minha cabeça de futura-mamãe-após-15-anos: “eu não me lembro de mais nada!”, “são tantas novidades”, “vou ter que aprender tudo de novo!”, “será que vou conseguir?” E hoje em dia vejo que é assim mesmo. Tem que ler, se informar, estudar, participar e conversar. E a motivação está na sua escolha por querer engravidar. Então seja responsável, porque o que você faz, sente, come, vivencia... está diretamente ligado ao seu bebê!

Vale lembrar que atualmente não é mais a mulher grávida, mas, sim, o casal grávido. Daí a importância da parceria. As leituras devem ser discutidas e as palestras, agendadas pelos dois. Beto, de vez em quando, me manda deixar de neura, porque toda hora estou lendo, escrevendo ou falando sobre o assunto. É verdade que a quantidade de livros que eu li (reli, sublinhei e fiz alguns esquemas) ultrapassam os livros que eu li na minha pós! Mas também nunca li com tanta voracidade e prazer!

Ás vezes ele também costuma dizer que já cumpriu a sua cota de consultas ou palestras. O que custou um pouco para eu entender e aceitar, mas terminei compreendendo que ele já está participando bastante, o que me deixa muito feliz!  Tem algumas consultas de rotina, por exemplo, que ele não precisava mesmo ir e algumas palestras eu ia apenas para revisar alguns pontos.

Mas hoje foi o dia da palestra mais importante: o curso de preparação para pais da Maternidade Santamaria. Aquela que já visitamos e escolhemos (juntamente com o nosso médico) para o nascimento de Ícaro.

Vocês devem imaginar que assim que eu soube deste curso quis fazer na mesma hora! Mas eles só agendam com um mês de antecedência da data prevista para o parto, ou seja, tive que, mais uma vez, trabalhar a minha ansiedade e aguardar o dia de hoje. E tanto tempo com ele agendado em meu calendário, tanto tempo esperando por este dia, Beto terminou sendo convocado para dar um curso sobre um programa que ele está desenvolvendo e não pode estar presente nesta primeira parte (são duas manhãs)! Profissionalmente é uma excelente oportunidade, mas emocionalmente, um arraso para mim. Porque esse não era um daqueles cursos de shopping, com o objetivo principal de divulgar produtos e marcas. Era o curso da maternidade onde vamos ter Ícaro!

Mas sem estresse. O jeito foi anotar tudo para passar o conteúdo para ele depois e esperar para assistirmos a segunda parte amanhã juntinhos! Vejam como foi a programação:
  •          Gestão de Leitos – Condutas administrativas do internamento;
  •          Orientação nutricional;
  •          Trabalho de parto;
  •          Assistência de enfermagem do trabalho de parto e parto;
  •          Alojamento conjunto;
  •          Filme: O Nascer Humanizado;
  •          Assistência médica neonatal na sala de parto e RN normal;
  •          Orientação auditiva neonatal – teste da orelhinha;
  •          Aleitamento materno; 
  •          Assistência em anestesia; 
  •          Cuidados com o RN
  •          Aspectos psicológicos: puerpério, retorno ao trabalho, sexualidade.
E aqui está a relação dos livros que li...
  •     Mãe de Dois
  •     Fralda Justa
  •     A Encantadora de bebês
  •     Da Gravidez aos Dois Anos de Idade - referência
  •     O Manual do Grávido
  •     Nascer Sorrindo
  •     O que esperar quando você está esperando
  •     Shantala
  •     Thank You Dr. Lamaze
E ainda estou lendo...
  • The Pregnancy Book
  • A Agenda da Gravidez (relendo as anotações de Thiago, meu 1º filho, e escrevendo as de Ícaro) 
  • The Baby Book - referência


terça-feira, 17 de abril de 2012

Gravidez aos 36 - Arrumando as malas


Estou com 34 semanas e, a partir da 38ª, qualquer hora é hora para Ícaro chegar. Por isso estava ansiosa para deixar as malas da maternidade prontas. Malas? Sim! A de Ícaro, a minha e... Por que ninguém fala nada sobre a mala do pai (ou acompanhante)? kkk
Bem, como não dá pra ir de mochila, pois preciso de praticidade para achar as coisas, peguei emprestada a malinha do meu sobrinho.  Mas essa já é a parte final...  Foi um processo chegar até aqui!  Vejam só...
As malas, neste momento, estão abertas com uma lista anexada das coisas que ainda faltam comprar, por exemplo, dois pares de luvinhas, ou que estão em processo de lavagem (algumas roupinhas e meus pijamas) ou que só devem ser guardadas mais pertinho do dia 14/05, quando completo a 38ª semana (meu CD do trabalho de parto, por exemplo, pois eu e Ícaro estamos ouvindo ele no carro). Para eu chegar até esse ponto (ter uma lista final com as coisas que faltam), eu pesquisei folhetos de lojas de bebê e artigos da internet e participei de alguns workshops! E nada disso ajudou!! kkk Ainda estou com dúvidas!!
A Maternidade Santamaria pede seis lençóis de berço, aí coloca entre parênteses, para me deixar louca, “de carrinho”, depois pede quatro cueiros (que eu achava, do verbo não-acho-mais-nada,  que sabia o que era) e quatro mantas. Essas três coisas se completam, complementam, se misturam... e se transformam em uma coisa só!!!
Depois de analisar uns seis folhetos de lojas de bebês, fiz a minha própria listinha. Vocês sabem que eu adoro! Fazer listas está no meu sangue, herança genética da minha mãe. O bom é que eu faço, mas executo =) Como o enxoval de Ícaro já estava pronto praticamente com o que herdei de minha irmã e da sua cunhada, da prima de Beto e com os presentes trazidos por Tia Esther, que mora nos Estados Unidos, só precisei acrescentar tesourinha, algodão, etc à lista. Até as mamadeiras Ícaro herdou do priminho Peu! Só espero não precisar usá-las!!
Depois disso era hora de separar o que devia ir pra mala do bebê e da mamãe. Segui o que a Maternidade Santamaria, do Hospital Português, pedia. E foi então que eu comecei a ficar doidinha, sem saber diferenciar cueiro, de lençol de berço e de manta! É que o berço é tão pequenininho que o cueiro consegue forrá-lo e daí ele vira lençol! E o cueiro também serve de manta, não? Então por que não pedem logo 14 tecidos 1X1 que serão usados para três funções diferentes???
Tô calma...
Ainda vou precisar separar as roupas (conjunto pagão – não podem mudar esse nome??, toalha de capuz, toalha fralda, lençol de carrinho??, manta??, cueiro?? - esse nome também merece ser mudado, babinha??, meias, luvas, touca e fraldas) em saquinhos etiquetados por dia para que ninguém fique me perguntando onde estão as coisas de Ícaro (e não para combinar, viu?). Vou escrever 1ºDIA, 2ºDIA, 3ºDIA e ROUPAS EXTRAS. Que foi outra coisa que me deixou doidinha... Como escolher as roupas de Ícaro sem saber se ele vai caber nelas? Gente... Eu não era assim, não... Tô surtando... kkk. Com Thiago não tive nada disso... Ou não lembro? Ou minha mãe arrumou a mala pra mim?
Outro ponto que também “me tirou noites de sono” foi a tal da lavagem de roupas!! As pediatras e os palestrantes destes workshops para gestantes dizem que é para lavar à mão com sabão de côco e depois passar ferro. Já começa que aqui em casa não passamos roupa e eu tive que comprar ferro e tábua para as roupinhas de Ícaro (mas foi bom porque agora posso desamassar umas blusinhas mais chatas).  Depois a idéia de lavar roupas à mão, 200 anos depois da invenção da máquina de lavar, não faz muito sentido para mim... Até as minhas blusinhas delicadas vão pra máquina! Bem, ás vezes me dou ao trabalho de protegê-las com aqueles saquinhos...
E o sabão de côco? Eu achava que os pediatras pediam para lavar com sabão de côco por ser mais natural... Já leram a composição química de um sabão de côco?? Depois que eu li, comecei a achar tudo isso uma bobagem, principalmente depois que li no site das minhas fraldinhas de pano que elas vão direto pra máquina com pouquíssimo sabão líquido. O que não pode é amaciante, perfume... Porque a pele do bebê é muito sensível ainda. Mas entre um sabão de côco e um sabão líquido para bebês a diferença é muito pouca. Todos possuem nomes estranhos em suas composições químicas! O importante é usar uma quantidade mínima e enxaguar bastante.
Depois ainda fiquei pensando em toda essa proteção e cuidado... O bebê fica todo “protegido” com roupas lavadas à mão, em bacia separada, com sabão de côco “natural”, passadas à ferro, etc etc. Mas essas roupas vão ser tocadas por outras mãos, estendidas no varal, colocadas em cestos para serem guardadas... Apesar do ferro quente, é muito manuseio e muito cuidado. E Ícaro vai se encostar em minha roupa, pegar em mim e colocar a mão na boca... Vou ter que me esterilizar?? E os bebês que nascem na roça ou em tribos? Não tem nada disso e crescem fortes! Mas vamos encontrar o equilíbrio.
Agora querem conhecer a minha lista? Preparem-se:
MINHA MALA 
01 - pacote de absorvente noturno
03 - calcinhas de cintura alta com reforço para o abdômen
03 - pijamas com abertura na frente para amamentação
01 - robe
01 - cinta pós-parto
01 - Crocs
02 - sutiãs de amamentação
01 - roupa para o dia de alta
- Conchas ou absorventes para os seios
- máquina fotográfica com carregador e baterias extras
- produtos de higiene íntima: escova e creme dental, shampoo e condicionador, sabonete, toalhas, pente e desodorante
- meu diário da gestação
- MP3
- CD para ouvir durante o trabalho de parto
- para alívio das contrações: massageador com rodinhas e bola de tênis
- comidinhas energéticas e de fácil digestão (noz, frutas)
- lembrancinhas
- cheguei
- documentos: RG, carteira do convênio, CPF e RG de Beto,  guia de internação e pasta com todos os exames por ordem cronológica
MALA DE ÍCARO
01 - pacote de algodão de 100g
01 - caixa de cotonete
06 - conjuntos de roupa de algodão
04 - cueiros de flanela
06 - lençóis de bercinho/carrinho
02 - mantas
01 - escovinha macia para cabelos
06 - fraldas de pano (brancas, sem pintura)
01 - pacote de fralda descartável (tamanho P)
06 - pares de luvas
06 - pares de meias
01- sabonete líquido glicerinado
04 - toalhas fraldas
01 - cortador de unha
02 - toalhas felpudas com capuz
04 - toucas
- Bebê-conforto (testar instalação no carro antes) 
MALA DE BETO
- roupa do corpo e um cooler cheio de cerveja!!


sábado, 7 de abril de 2012

Gravidez aos 36 – Primeira Consulta com o Pediatra

Vocês devem estar pensando “Ícaro nem nasceu e já foi ao pediatra?”. Pois é... A escolha do pediatra não deve ser precipitada e o melhor é você não esperar até o nascimento, porque, dois dias após a saída da maternidade, já tem a primeira consulta, quer dizer, em nosso caso, a segunda. E você vai estar envolvida com amamentação, noites sem dormir direito, fraldas sujas e muito choro. Dá para pensar em escolher algum pediatra em meio a tudo isso?

Nós já sabíamos quem seria a pediatra de Ícaro, porque ela é uma amiga da família, inclusive esteve presente no meu primeiro parto (foi como uma doula para mim há 15 anos, quando, eu acredito, ninguém nem sabia o que era doula – e ainda deve ter muita gente sem saber =). Mesmo com a escolha já feita, ela sugeriu marcarmos a primeira consulta ainda no período gestacional.

Se não souber por onde começar, peça indicação ao seu obstetra, às amigas que tenham filhos pequenos ou às enfermeiras da maternidade, sempre consultando o seu plano de saúde. Depois de escolher uns dois ou três médicos ligue para conhecê-los. Eles devem ser competentes, amáveis e disponíveis. Leve uma listinha com as suas preocupações e dúvidas para descobrir se vocês pensam da mesma forma. Sugestões:
  1. Há horários em que os pais que acabaram de ter filhos possam ligar quando estiverem sem saber o que fazer ou estiverem nervosos?
  2. Quanto tempo, em média, os pais tem que esperar pelo retorno da chamada?
  3. Qual o procedimento em caso de emergência?
  4. Qual a orientação durante o período de amamentação ao seio?
  5. Existe alguma ajuda para as mães que querem continuar amamentando mesmo depois de retornar ao trabalho?
  6. Existe alguma instrução com relação à introdução de alimentos após os 6 meses?
  7. Qual a orientação com relação à circuncisão?
  8. Faz uso de antibióticos?
  9. Faz uso de homeopatia ou outra forma mais natural de medicamento?
  10. Qual a sua opinião sobre o uso da chupeta? 
Além dessa pequena entrevista, vale a pena observar o consultório: Tem espaço para as crianças brincarem enquanto esperam? A espera é muito longa? O pediatra costuma ser pontual? Como se dá o atendimento às crianças com doenças contagiosas? Ficam todas no mesmo ambiente? Quais os horários e dias de funcionamento?

Durante a nossa consulta ficamos mais atualizados com relação às novidades da pediatria. Inclusive ela nos mostrou o site da Sociedade Brasileira de Pediatria e seus manuais de orientação para os pediatras (mas que mães informadas como eu querem ler também) e um link chamado “conversando com o pediatra”. Também conversamos sobre amamentação e alimentação. Nunca é demais =)

E eu aproveitei e levei meu caderninho com mais algumas perguntas...O bebê deve dormir de bruços? De lado? De costas? Mamar à vontade? Cronometrado? E o berço? É aquilo mesmo que a reportagem do Fantástico mostrou? Não podemos ter nem um enfeitinho? Quando devo começar a lavar as roupas de Ícaro? É verdade que não podemos colocar amaciante? E a fimose? É verdade que não devemos mais fazer aqueles exercícios de retração da pele? Quais são as primeiras vacinas? Como são feitos os testes do pezinho, orelhinha e ouvidinho?  Coitado de Beto... E já era hora do almoço...

Mas lembrem-se que a escolha do pediatra é um investimento. Ele se tornará quase um membro da família, pois acompanhará o crescimento do seu bebê desde os seus primeiros dias de vida, logo após o nascimento, até suas primeiras espinhas da adolescência.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Gravidez aos 36 - Curtindo a Gravidez

Gravidez é mesmo algo divino. Não tem um dia que eu não pense em como é mágico carregar um bebezinho todo dia comigo para o Pilates, trabalho, yoga, cinema, compras... E até, no início da gestação, para um show de rock. Não tem um dia que eu não pense que o que eu como está nutrindo ele, que o oxigênio que eu respiro ele respira também, que o que eu ouço ele está ouvindo, que o que eu sinto ele está sentindo... E agora que ele sabe quando Beto chega? Acreditem... Ele fica quietinho, mas é só Beto chegar que ele começa a agitação =) Não é divino?

Ainda não tive a oportunidade de contar a vocês que a minha gatinha mais velha, Letícia, 
12 aninhos, desde que eu engravidei, começou a ficar bem mais pertinho de mim. Ela passou a subir no meu colo e a ficar bem próxima da barriga e a dormir colada ao meu rosto em um cantinho da cama. Cheguei a mudar de lado para saber se o grude era comigo ou se a preferência era pelo cantinho. Mas ela foi atrás de mim.

Se Letícia mudou seu comportamento, imaginem as pessoas? Tem gente que não me cumprimentava com beijos, mas agora enche a minha barriga de carinhos. Na primeira vez tomei um susto, mas logo achei interessante. Agora já até levanto os braços para deixa-los mais à vontade =)

As pessoas também pegam as coisas que você derruba no chão de imediato, cedem o lugar, deixam você passar na frente quando sai do elevador, abrem a porta para você... Claro que ainda encontramos os mal-educados, mas o comportamento e a atitude das pessoas mudam muito quando veem que você está grávida. E quanto maior a barriga, maior a educação. Só não percebi muita mudança ao atravessar a faixa de pedestre! E não pude dar continuidade à minha pesquisa sem colocar a minha vida e a de Ícaro em risco, então parei.

Thiago também está muito mais cuidadoso e carinhoso comigo. Sempre me enchendo de beijos e agora pega na minha barriga sem eu precisar perguntar "quer sentir seu irmão?". E os 
cuidados de Beto foram aumentando à medida que a barriga ia crescendo. Sempre que vou andando para algum lugar ele me pede para tomar cuidado e ele também se preocupa quando me levanto muito ou faço barulhinhos ao me sentir incomodada por alguma dor (ligamento do útero esticado, câimbras e dores no assoalho pélvico são as mais comuns, mas nada de dor na coluna ou falta de ar - graças ao Pilates e à Yoga). E Beto também observa  a minha alimentação e não me deixa comer besteira =)


Outro dia foi muito engraçado. Fui a um aniversário e a garçonete, ao ver meu estado gravídico, me ofereceu um tratamento super VIP! Ela mandava o garçom me trazer suquinhos, trazia pratos cheios de salgadinhos para mim (que eu disfarcei que iria comer para não ofendê-la), perguntava a cada 20 minutos se estava tudo bem, se eu estava sendo bem servida... Eu estava até constrangida, porque acho que nem a aniversariante estava sendo tratada assim!


Mas essa curtição toda não é só minha. Sâmea, 
companheira de barriga, 
também falou um pouquinho sobre como anda curtindo sua gravidez. Confiram:

Gerar um bebê é, sem dúvida, um presente de Deus, e, quem tem a sorte de ser agraciado com tal dádiva deve aproveitar esses nove meses com muita intensidade e plenitude. Todo dia que acordo, passo minutos e minutos me olhando no espelho, sentindo minha barriga, vendo o formato que ela tem tomado (muito embora, às vezes, acho que nada mudou de um dia pro outro rs), mentalizando o rostinho de meu filhinho, conversando com ele, imaginando que posição ele está e o que está fazendo dentro da "casinha quentinha" da mamãe.

Acredito que o exercício de ser mãe começa desde a descoberta da gravidez, quando mudamos todo o foco de nossas vidas, e tudo é direcionado para esse serzinho que está crescendo dentro de nós. Apesar de eu estar MUITO ansiosa para conhecer logo o meu Mateusinho, sinto que vou sentir bastante falta desse barrigão e tudo que ele me proporciona.

As pessoas me tratam de uma maneira especial, me olham de uma maneira especial, e, além de tudo isso e todos os lindos sentimentos que a gestação nos traz, ganhei novos amigos após a minha gravidez. Acho que a gestação abre portas, quebra o gelo, principalmente entre as mulheres. Na escola onde trabalho, as pessoas, mesmo sem me conhecer, abrem o sorriso ao me ver passar e seus olhos são imediatamente direcionados à minha barriga. Conquistei novos amigos, e me aproximei ainda mais daqueles que eram somente conhecidos. Preciso dizer que essas pessoas, em sua maioria, são mulheres, e o que percebo é uma certa nostalgia quando vêem uma mulher grávida. Acompanhado de um sorriso e um olhar carinhoso, vem sempre aquele conselho: "aproveite bem a sua gestação, pois você vai sentir muita falta dela" . E eu acho que elas têm razão: por mais afobada e curiosa que eu esteja pra cuidar do meu menininho, tenho vivido plenamente a minha gravidez (até mesmo o terceiro trimestre, onde o cansaço impera), afinal nosso plano (meu e de meu marido Eduardo) é de só termos um bebê, ou seja, é uma experiência única na minha vida. Mas penso que nem sempre os planos saem como planejamos não é? =).